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Archive for the ‘Testemunho’ Category

Testemunho de Monique Conceição dos Anjos, jornalista e assessora de imprensa.
No último sábado (13), por volta das 22h30, após sair da igreja com meu marido, Júnior, fomos ao Hipermercado Extra, na Rótula do Abacaxi, aqui em Salvador, BA. Fizemos umas compras e fomos guardá-las em nosso veículo. Após guardá-las, entrei no carro e fiquei esperando-o fechar o porta-malas. No momento em que Junior entrou no veículo, percebi a presença de alguém se aproximado da gente; tentei avisá-lo, mas foi tarde. Um jovem, aparentando pouco mais de 20 anos, portando um revólver, mandou que meu marido passasse para o banco de trás. Por um instante, pensei que fosse algum conhecido brincando, pela forma calma de falar. Foi quando percebi que se tratava de um sequestro. Júnior olhou para mim e me pediu calma, enquanto o ladrão ligava o carro sem dar uma palavra. Antes de sair do Extra, ele olhou para a gente e perguntou:

– Vocês são evangélicos?

Ficamos surpresos, mas Júnior respondeu com convicção:

– Sim, somos!

Então o rapaz bateu as duas mãos no volante e fez outra pergunta:

– De que igreja vocês são?

Eu respondi:

– Somos adventistas do sétimo dia.

Então, para nossa surpresa, o ladrão afirmou:

– Não se preocupem, não vou fazer nada com vocês. Eu não assalto cristão; não sou maluco de fazer isso. Já fiz uma vez e me arrependo amargamente.

Logo em seguida, o jovem nos perguntou outra coisa:

– O carro de vocês tem seguro?

Eu, outra vez, tomei a palavra e respondi:

– Não. Inclusive somos recém-casados e ainda estamos nos estabilizando financeiramente.

Para nossa surpresa, mais uma vez, ele balançou a cabeça e disse:

– Mais um motivo para eu não fazer nada com vocês. Eu só roubo carro que tem seguro. Podem ficar tranquilos, vou dar uma volta com vocês e pegar outro carro, pois preciso voltar pra casa.

Tudo parecia um pesadelo, mas era realidade. Tiago – esse é o nome do rapaz – é ex-evangélico. Ele nos disse que “precisávamos passar por aquele momento”, e que nenhuma folha cai sem a permissão de Deus! Júnior e eu estávamos relativamente calmos, pois sabíamos que Deus estava no controle. No percurso, Júnior perguntou o que levara Tiago a pensar que nós éramos evangélicos e tivemos outra surpresa com a resposta dele:

– A aparência, só isso.

Continuamos a conversar. Na verdade, aproveitamos a oportunidade para testemunhar do amor de Deus e tentar tirar aquele jovem da vida torta em que ele se encontrava. Tudo durou, aproximadamente, 1h30. Mas parecia uma eternidade.

Apesar de ele não nos ter ameaçado, apontado a arma, ou sequer nos xingado, o medo pairava em meu coração. Em determinado momento, pedi para que eu pudesse chorar, pois estava angustiada, pelo simples fato de nunca ter passado por situação assim. Mais uma vez, Tiago nos surpreendeu. Olhou para mim e disse:

– Vocês podem fazer o que quiserem. Eu não vou fazer nada com vocês. Eu não quero nada de vocês. Eu nem tô fazendo nada. Rapaz, pra você ter certeza de que não vou fazer nada, segure minha arma.

Júnior tomou um susto e disse não precisar daquilo, pois confiava na palavra dele. Tiago recolheu o revolver e o guardou embaixo das pernas.

Calmamente, aquele jovem dirigia e conversava com a gente – como se fôssemos três amigos. Não ultrapassou nenhum sinal vermelho e também não acelerou o carro. Manteve a velocidade entre 60 e 70 km.

Tentamos convencê-lo a sair daquela vida e ele começou a falar o que havia se passado com ele (não vou relatar, pois foram várias situações que o levaram àquela vida). Mas, de uma coisa eu tinha certeza: ele tinha o temor de Deus! E nós estávamos com a Trindade e um batalhão de anjos dentro daquele carro.

Após “passearmos” na orla, Costa Azul e adjacências, ele disse que iria nos deixar no mesmo local em que tínhamos sido abordados. Como ele estava um pouco alcoolizado, acabou indo para o Hiper Bompreço do Iguatemi, quando eu disse:

– Mas você pegou a gente no Extra da Rótula do Abacaxi.

Mesmo percebendo que estava em outro local, ele entrou no Hiper Bompreço. Havia ali alguns seguranças armados e poucos carros. Então decidiu voltar ao Extra. Ao chegarmos lá, ficamos parados uns 30 minutos, durante os quais continuamos a conversar. Nesse momento, meu marido pediu para que nós orássemos juntos e ele aceitou. Inacreditavelmente, ele fechou os dois olhos. Demos as mãos e oramos. Era algo inacreditável! Parecia surreal! Mas foi verdade.

Como demoramos muito, ele percebeu uma movimentação “estranha” dos seguranças do Extra. Na verdade, acho que foi impressão dele, mas o fato é que ele ligou o carro e saiu do local em que havia estacionado. Deu uma volta e tentou assaltar outro carro, comigo e meu marido dentro do nosso veículo. Quando ele avistou algumas pessoas se dirigindo para um automóvel, disse-nos:

– Não, aqueles ali eu não posso. Tão com criança e eu não faço isso.

Era uma surpresa atrás da outra! Eu continuava custando a acreditar. Então ele foi conduzindo nosso carro para outro local e eu pedi para que ele estacionasse onde eu não pudesse vê-lo abordando outra pessoa. Ele atendeu meu pedido e estacionou num local em que eu não pudesse ver quase nada. Um casal saiu de um gol preto e entrou no supermercado. Tiago esperou que eles voltassem. Nesse meio tempo, meu marido ofereceu para ele a Bíblia do nosso casamento e um DVD do Departamento Jovem da igreja. Ele aceitou prontamente. Disse que sabia que aquela era a única saída para os problemas dele, mas que ele precisava roubar um carro para voltar para casa. Então, quando fui pegar o DVD, descobri que dentro da capa estava o CD de Ed Carlos, que havia vivido algo parecido com o que aquele jovem vivia. Então olhei para Tiago e disse:

– Tiago, acho que Deus tem, realmente, um propósito em sua vida. O CD que temos aqui é de uma pessoa que tinha a vida parecida com a sua. Mas, hoje, vive para o Senhor. Ele teve a vida transformada. Ainda há tempo pra você!

Nesse momento, o casal que tinha ido ao Extra voltava para o carro e, então, Tiago olhou para mim e para o Júnior e disse:

– Vou indo nessa. Orem para que eu saia desta vida!

Na tarde do dia seguinte, meu marido e eu fomos à delegacia para conversar com o delegado, mas ele não estava lá. Ao falar com o policial, ele nos entregou o boletim de ocorrência errado. Quando o lemos, percebemos que se tratava de algo parecido com o que havia acontecido conosco e tive curiosidade de ler mais. O boletim era o do casal que Tiago havia abordado depois de nós! Não sei como aquele documento veio parar em nossas mãos, mas, ao lê-lo, tive ainda mais certeza de que Deus estava no controle de tudo.

O motorista do gol, que declarou ser evangélico, disse que Tiago lhe havia perguntado se o carro tinha seguro. Ele respondeu que sim. Então, Tiago levou o carro, mas deixou o casal em um ponto de ônibus. Junto com o carro, Tiago levou também dois celulares e 35 reais, não sem antes devolver os chips dos aparelhos e entregar-lhes dinheiro suficiente para eles tomarem o ônibus para casa.

Tenho certeza de que existe esperança para aquele rapaz. Está tudo nas mãos de Deus!

É claro que fiquei traumatizada, porém, mais forte do que nunca. Deus livrou a mim e a meu marido do vale da sombra da morte. E nos fez testemunhas vivas do Seu amor, bondade e proteção.

Do site Criacionismo

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O cristão fiel terá que, hora ou outra, desistir até mesmo de seus próprios sonhos pelo Reino de Cristo. Mas aquilo que parece perda, é ganho. O profeta escreveu “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Temos muitos sonhos e metas nesta vida, e isso é muito bom, e não é pecado ambicionar a fortuna que essa vida pode oferecer, muito pelo contrário, todo cristão deve desejar o melhor para si, o melhor posto, deve procurar chegar na maior altura que lhe for possível. Só que nesta caminha ele será provado, e pode acontecer de que ele tenha que descer alguns degraus da escada. Tudo isso acontece com um propósito, Deus trabalha com seus filhos. Seu objetivo é o de que o homem adquira caráter perfeito, e busque sempre, em primeiro lugar, o seu Reino.

Assistam abaixo o testemunho da uma jovem, Wasthí Lauers. Ela teve de passar por essa experiência, mas a promessa de Deus é certa, desde que ela não desista e continue firme em suas convicções, pois Cristo mesmo disse “Buscai primeiro o reino dos céus, e a demais coisas vos serão acrescentadas”. (Mateus 6:33)

E no vídeo podemos assistir também o dia em que o Evangelho Eterno alcançou Ana Hickmann. Como já foi dito, Deus sempre tem um propósito.

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Deus trabalha de formas estranhas, e Ele tem, espalhados pelo mundo todo, instrumentos insólitos para levar o seu evangelho. Muitas das vezes são pessoas até mesmo desligadas de instituições religiosas, mas que fazem um trabalho cujo alcance não seria possível para a igreja.

No meu entender, um destes instrumentos foi Elvis Presley. Eu sei que a vida que ele levava como astro do Rock e do cinema não tinha como se armonizar com um cristianismo moderado e conservador, mas ainda assim a fagulha da Palavra de Deus brilhava em seu peito e o Espírito não deixava o cantor esquecer suas origens.

No vídeo abaixo podemos ter uma noção disso. De como era esse relacionamento de Elvis com Deus e Sua palavra.

Você pode assistir o especial completo sobre a vida espiritual de Elvis clicando aqui.

E lembren-se da promessa de Deus “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.” Isaías 55:11

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Jennifer Case deixou a indústria do sexo três anos atrás pela graça de Deus, diz ela, e a mensagem dela para os homens é muito clara: “Há uma pessoa real do outro lado das imagens que você está vendo, e você está destruindo a vida dela e a vida dos filhos dela.” Numa entrevista para “The Porn Effect” (O Efeito Pornô), Case testifica de sua própria experiência acerca dos malefícios que a indústria pornográfica provoca nas mulheres envolvidas. Ela diz que ficou traumatizada, oprimida e abusada, e ficou viciada em drogas e precisava de dinheiro da pornografia para continuar tendo condições de comprá-las. Fisicamente ela tinha de lidar com doenças sexualmente transmissíveis: “Tive tantas infecções diferentes o tempo inteiro. Deixei Hollywood porque fiquei muito doente de clamídia. Meu abdome doía tanto que tive de voltar para casa”, disse ela.

A indústria pornográfica é alimentada pelos seus consumidores – eles e seu dinheiro impulsionam o destrutivo negócio – e daí dá para se atribuir os danos feitos a essas mulheres aos consumidores bem como produtores. Contudo, a ex-atriz pornô não guarda amargura contra os homens pela vida passada dela. Ela possui um discernimento profundo da natureza viciadora da pornografia e diz que compreende que só com a ajuda de Deus os homens conseguem sair do vício, assim como foi com a ajuda de Deus que ela deixou essa indústria.

“Homens, Deus ama vocês! Eu amo vocês também e sempre orarei por todos vocês, para que as cadeias sejam quebradas”, diz ela. “Você é escravo da pornografia tanto quanto qualquer atriz pornô. Se você está vendo pornografia ou está viciado em pornografia, você está tentando encher um vazio dentro de você que só Deus pode preencher. Toda vez que você olha pornografia, você está aumentando o vazio, e você destruirá sua vida.”

Ela diz que a pornografia é “maligna” e “é uma droga, veneno e mentira”. “Se você pensa que poderá guardá-la no escuro, Deus a tirará para fora, para a luz, para deter você e curar você.”

Num apelo muito franco, Case concluiu a entrevista dizendo: “Essas mulheres são preciosas e merecem ser amadas exatamente como vocês merecem. Há uma pessoa real do outro lado das imagens que você está vendo, e você está destruindo a vida dela e a vida dos filhos dela. Em toda pornografia existe a filha de alguém. E se fosse a sua filhinha? Você pode realmente estar ajudando na morte de alguém! Atores e atrizes pornôs morrem o tempo todo de aids, overdoses de drogas, suicídios, etc. Por favor, parem de olhar pornografia.”

(Traduzido do artigo original em inglês por Julio Severo)

Nota Michelson Borges: Apelo sincero e sério o dessa mulher. Como qualquer vício, o da pornografia geralmente começa com o descuido e a curiosidade e vai se aprofundando, até que a pessoa se dá conta de estar escravizada pelo hábito destrutivo. O alcoólico deve ficar longe do álcool. O drogado deve passar longe das drogas. E o viciado em pornografia também deve tomar medidas preventivas. Se o problema é a internet, deve-se acessá-la sempre acompanhado de outras pessoas, limitar o tempo de navegação, ser muito focado e específico no uso (evitando navegar a esmo por aí) e colocar filtros no computador. Crianças pequenas devem ser especialmente monitoradas para não entrar inadvertidamente nesse mundo corrompido da pornografia. Finalmente, e mais importante: como disse Jennifer, só com a ajuda de Deus se pode conseguir a libertação do vício. Portanto, se você vive esse drama, intensifique sua comunhão com Deus por meio da oração sincera, do estudo devocional diário da Bíblia, das boas companhias e da frequência regular à igreja. Quando Jesus controla nossa mente, os pensamentos e desejos se tornam puros e corretos.

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Do site Criacionismo
A revista Veja da semana passada (13/7) publicou entrevista interessante com o filósofo Luiz Felipe Pondé, de 52 anos. Responsável por uma coluna semanal na Folha de S. Paulo e autor de livros, Pondé costuma criticar certezas e lugares-comuns bem estabelecidos entre seus pares. Professor da Faap e da PUC, em São Paulo, o filósofo também é estudioso de teologia e considera o ateísmo filosoficamente raso, mas não é seguidor de nenhuma religião em particular. Pondé diz que “a esquerda é menos completa como ferramenta cultural para produzir uma visão de si mesma. A espiritualidade de esquerda é rasa. Aloca toda a responsabilidade do mal fora de você: o mal está na classe social, no capital, no estado, na elite. Isso infantiliza o ser humano. Ninguém sai de um jantar inteligente para se olhar no espelho e ver um demônio. Não: todos se veem como heróis que estão salvando o mundo por andar de bicicleta”. Sobre sexo, ele diz: “Eu considero a revolução sexual um dos maiores engodos da história recente. Criou uma dimensão de indústria, no sentido da quantidade, das relações sexuais – mas na maioria elas são muito ruins, porque as pessoas são complicadas.”

Leia aqui mais alguns trechos da entrevista:

Por que a política não pode ser redentora?

O cristianismo, que é uma religião hegemônica no Ocidente, fala do pecador, de sua busca e de seu conflito interior. É uma espiritualidade riquíssima, pouco conhecida por causa do estrago feito pelo secularismo extremado. Ao lado de sua vocação repressora institucional, o cristianismo reconhece que o homem é fraco, é frágil. As redenções políticas não têm isso. Esse é um aspecto do pensamento de esquerda que eu acho brega.

Essa visão do homem sem responsabilidade moral. O mal está sempre na classe social, na relação econômica, na opressão do poder. Na visão medieval, é a graça de Deus que redime o mundo. É um conceito complexo e fugidio. Não se sabe se alguém é capaz de ganhar a graça por seus próprios méritos, ou se é Deus na sua perfeição que concede a graça. Em qualquer hipótese, a graça não depende de um movimento positivo de um grupo. Na redenção política, é sempre o coletivo, o grupo, que assume o papel de redentor. O grupo, como a história do século 20 nos mostrou, é sempre opressivo.

Em que o cristianismo é superior ao pensamento de esquerda?

Pegue a ideia de santidade. Ninguém, em nenhuma teologia da tradição cristã – nem da judaica ou islâmica –, pode dizer-se santo. Nunca. Isso na verdade vem desde Aristóteles: ninguém pode enunciar a própria virtude. A virtude de um homem é anunciada pelos outros homens. Na tradição católica – o protestantismo não tem santos –, o santo é sempre alguém que, o tempo todo, reconhece o mal em si mesmo. O clero da esquerda, ao contrário, é movido por um sentimento de pureza. Considera sempre o outro como o porco capitalista, o burguês. Ele próprio não. Ele está salvo, porque reclica lixo, porque vota no PT, ou em algum partido que se acha mais puro ainda, como o PSOL, até porque o PT já está meio melado. Não há contradição interior na moral esquerdista. As pessoas se autointitulam santas e ficam indignadas com o mal do outro.

Quando o cristianismo cruza o pensamento de esquerda, como no caso da Teologia da Libertação, a humildade se perde?

Sim. Eu vejo isso empiricamente em colegas da Teologia da Libertação. Eles se acham puros. Tecnicamente, a Teologia da Libertação é, por um lado, uma fiel herdeira da tradição cristã. Ela vem da crítica social que está nos profetas de Israel, no Antigo Testamento. Esses profetas falam mal do rei, mas em idealizar o povo. O cristianismo é descendente principalmente desse viés do judaísmo.

Também o cristianismo nasceu questionando a estrutura social. Até aqui, isso não me parece um erro teológico. Só que a Teologia da Libertação toma como ferramenta o marxismo, e isso sim é um erro. Um cristão que recorre a Marx, ou a Nietzsche – a quem admiro –, é como uma criança que entra na jaula do leão e faz bilu-bilu na cara dele. É natural que a Teologia da Libertação, no Brasil, tenha evoluído para Leonardo Boff, que já não tem nada de cristão. Boff evoluiu para um certo paganismo Nova Era – e já nem é marxista tampouco. A Teologia da Libertação é ruim de marketing. É como já se disse: enquanto a Teologia da Libertação fez a opção pelo pobre, o pobre fez a opção pelo pentecostalismo.

O senhor acredita em Deus?

Sim. Mas já fui ateu por muito tempo. Quando digo que acredito em Deus, é porque acho essa uma das hipóteses mais elegantes em relação, por exemplo, à origem do universo. Não é que eu rejeite o acaso ou a violência implícitos no darwinismo – pelo contrário. Mas considero que o conceito de Deus na tradição ocidental é, em termos filosóficos, muito sofisticado. Lembro-me sempre de algo que o escritor inglês Chesterton dizia: não há problema em não acreditar em Deus; o problema é que quem deixa de acreditar em Deus começa a acreditar em qualquer outra bobagem, seja na história, na ciência ou sem si mesmo, que é a coisa mais brega de todas. Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo. Minha posição teológica não é óbvia e confunde muito as pessoas. Opero no debate público assumindo os riscos do niilista. Quase nunca lanço a hipótese de Deus no debate moral, filosófico ou político. Do ponto de vista político, a importância que vejo na religião é outra. Para mim, ela é uma fonte de hábitos morais, e historicamente oferece resistência à tendência do Estado moderno de querer fazer a cura das almas, como se dizia na Idade Média – querer se meter na vida moral das pessoas.

Por que o senhor deixou de ser ateu?

Comecei a achar o ateísmo aborrecido, do ponto de vista filosófico. A hipótese de Deus bíblico, na qual estamos ligados a um enredo e um drama morais muito maiores do que o átomo, me atraiu. Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia. Mas tenho sorte sem merecê-la. Percebo uma certa beleza, uma certa misericórdia no mundo, que não consigo deduzir a partir dos seres humanos, tampouco de mim mesmo. Tenho a clara sensação de que às vezes acontecem milagres. Só encontro isso na tradição teológica.

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Ela se chama Valéria Conceição dos Santos Donner, mas tornou-se conhecida como Valéria Valenssa ou “a ex-globeleza”. Hoje, aos 39 anos, a mulata carrega outro título: serva de Deus. Casada há 18 anos com o famoso designer gráfico Hans Donner, atualmente trabalha com ele na administração e coordenação de suas palestras ministradas dentro e fora do Brasil, e se dedica aos filhos João Henrique e José Gabriel Donner. Valéria é evangélica desde 2004, ano em que viveu um período difícil ao ser dispensada pela Globo depois de 15 anos como símbolo do carnaval na emissora. Ela conheceu o amor e a verdadeira felicidade em Jesus, e afirma que não se imagina mais distante de Cristo.

Como aconteceu a sua saída da TV Globo?

Depois que nasceram os filhos a Globo decidiu escolher outra mulata.

O que mudou em sua vida após essa fase?

Tudo. Primeiro porque pensava que estava preparada para enfrentar qualquer coisa, o que não era verdade. Pensava também que eu era insubstituível, e ninguém é. Naquele momento não esperava ser dispensada. Aprendi que o homem te coloca num pedestal e o próprio homem te tira dele. Mas com Deus tenho aprendido a andar nas alturas, conforme está escrito em Habacuque 3:19.

Como e quando você se converteu a Jesus Cristo?

Nessa fase em que a Globo me demitiu, em 2004. Um dia estava em casa muito angustiada e triste. Lembrei-me de um convite que havia recebido algumas vezes, tratava-se de uma reunião de oração feita por funcionários da Globo, às segundas-feiras, no horário de almoço. Resolvi aceitá-lo e lá tive um encontro com o Senhor Jesus Cristo.

Conte seu testemunho.

Sempre fui uma pessoa religiosa e tinha muita fé em Deus, mas não O conhecia. Quando a Globo me chamou para uma reunião e disse: “hoje você não é mais”, o mundo caiu ali pra mim. Fiz loucuras, coisas que hoje não faria. Eu estava 10 quilos acima do peso. Fiz plástica num período curto de dois meses, perdi 12 quilos. Meu filho tinha oito meses de idade. Virei escrava daquela situação, para provar para o homem que eu poderia alguma coisa. Eu esperei do homem ajuda.

Quando passei por esse momento delicado, cheguei a ficar deprimida, mas foi aí que Deus Se revelou para mim e entrou de verdade em meu coração, transformando toda a minha vida. Não consigo me imaginar distante da presença de Deus.

Percebo que minha história é marcada por muitos milagres. Hoje faço questão de testemunhar que sirvo a Deus. Isso está muito nítido na minha vida.

Tenho visto o mover do Senhor. Estou caminhando há sete anos, com muita oração e pedindo muita sabedoria. Tenho dado testemunho em várias igrejas sobre a minha mudança de vida.

O seu marido, Hans Donner, também é?

Ainda não, mas não abro mão da minha promessa em Josué 24:15: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” Ele tem visto o mover de Deus em minha vida.

Você é mãe. Costuma levar seus filhos à igreja? Já falou de Jesus para eles?

Sim, sempre. A Bíblia nos ensina em Provérbios 22:6: “Instrui o menino no caminho que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.”

Ser evangélica fez você diminuir a preocupação com o corpo?

Sim, de certa forma. Mas aprendi na Bíblia, em 1 Coríntios 6:19, que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, logo preciso ter zelo e cuidados com meu corpo e saúde.

Como foi a recepção das pessoas à sua conversão, principalmente daqueles que te viam antes como símbolo sexual?

As pessoas me veem com carinho, dizem que sentem saudade. São elas que vão me ouvir falar de Deus. Desde o momento que chego num ambiente fico “ligada”. Um dia precisei acompanhar meu marido num evento ligado a samba. Tudo depende da minha postura e do que vou falar, como me comportar, como me vestir.

Eles dizem que hoje estou diferente. Temos que passar para as pessoas a diferença daqueles que servem a Deus e dos que não servem. Muitos sabem que estou na igreja, que não faço mais carnaval, mas o amor e o respeito dessas pessoas não mudaram. Sempre busco a oportunidade de dizer que o que Deus tem feito na minha vida pode fazer na delas também.

Você participa de projetos sociais?

Sempre participei. E quando você faz não precisa falar, mostrar. Quando Deus chama, Ele tem propósito, é para pregar a Palavra. Antes eu era madrinha de ONG, cedia a minha imagem para buscar recursos. Hoje sou voluntária de uma ONG que assiste a mulheres carentes, mães abandonadas que criam seus filhos sozinhas. Dedico um tempo por semana para conversar, apoiar, falar sobre minha experiência de vida com Deus.

(Gospel Mais)

Nota de Michelson Borges: Resolvi divulgar esse testemunho da Valéria por perceber a coerência das palavras dela e do comportamento correspondente. Nesta época de “conversões” convenientes de pessoas que se dizem “evangélicas”, mas mantêm um estilo de vida que não condiz com os princípios do Evangelho, é alentador ler um testemunho como esse da “ex-globeleza”. Muitas vezes, Deus permite que as pessoas passem por decepções e mesmo por sofrimentos (o “megafone de Deus”, segundo C. S. Lewis) a fim de que elas acordem para o fato de que tudo nesta vida é passageiro (beleza, fama, poder) e que somente Ele pode lhes dar real felicidade, satisfação e, sobretudo, salvação. Note que Valéria associa coerentemente conversão com vida prática. Não mais se veste de forma indecente e não mais escuta as músicas do passado. Na vida dos verdadeiros conversos, fé e obras devem andar de mãos dadas. Deus abençoe Valéria e sua família!

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