Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Soteriologia’ Category

Ouve-se muito de pregadores adventistas a seguinte declaração: “Jesus não vai mudar você quando ele voltar, você vai pro céu com o mesmo caráter que tem agora!”
Esse apelo é baseado numa passagem de Ellen White que diz o seguinte:

Sairemos da sepultura com a mesma disposição que manifestamos em nosso lar e na sociedade. Jesus não altera o caráter em Sua vinda. A obra de transformação tem de ser efetuada agora. Nossa vida diária está determinando o nosso destino. Precisamos arrepender-nos dos defeitos de caráter, vencê-los pela graça de Cristo e formar um caráter simétrico neste período de prova, a fim de que sejamos habilitados para as mansões lá do alto.” (Eventos Finais, 295) 

Uma primeira observação importante: ela não diz caráter perfeito e sim simétrico. Ademaiso contexto original da passagem (Manuscript Releases 13:82) revela que Ellen White está falando sobre a influência dos pais sobre os filhos e da importância do cuidado com as palavras usadas no lar,  pela demonstração de amor, afeto, paciência etc.
George Knight em seu livro “Como Ler Ellen White” nos adverte sobre a importância de discernir entre declarações de Ellen White que apontam para um ideal e as que falam do real:
Ellen White constantemente entristeceu-se com os que selecionam de seus escritos “as expressões mais fortes dos testemunhos e sem fazer uma exposição ou um relato das circunstâncias em que são dados os avisos e advertências, querem impô-los em todos os casos. […] Escolhendo algumas coisas nos testemunhos, impõem-nas a todos, e, em vez de ganhar almas, repelem-nas. Quando Ellen White fala do ideal, ela emprega sempre sua linguagem mais forte. É como se ela sentisse a necessidade de falar em alta voz para ser compreendida.”  (George Knight, “Como Ler Ellen White,”  99, http://www.scribd.com/doc/66084171/Como-Ler-Ellen-White).
Creio que o problema da interpretação dessa passagem é confundir natureza pecaminosa com caráter. É possível desenvolver um caráter que está constantemente voltado às coisas de Deus, apesar de nossa natureza pecaminosa, que será removida por ocasião da vinda de Cristo. É possível viver “com os pés na terra e olhos no céu” como diz a famosa canção. Por isso,  o uso que é feito dessa passagem infelizmente tende a apoiar o perfeccionismo, que não é seu objetivo! Sem dúvida, tal leitura acaba colocando Ellen White contra o apóstolo Paulo que diz
Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. (1 Cor. 15:52-54)
Essa transformação de corruptível para incorruptível também inclui nosso caráter deficiente e imperfeito, nossa natureza pecaminosa, nossas tendências ao mal bem como nosso corpo mortal. O que não mudará será nosso desejo de estar para sempre com Deus, que deve começar hoje!
Por isso, quando Ellen White nos incita a desenvolver um “caráter simétrico” que estará preparado para o céu, creio que seu objetivo não é levar-nos às raias do “perfeccionismo sem pecado” como passaporte para as mansões celestiais, mas sim ao desenvolvimento de uma constante submissão à vontade de Deus e desejo de fazer sua vontade que se revela numa disposição humilde e positiva, serviçal. Afinal, esse é o caráter dos seres não caídos: eles fazem a vontade de Deus de dia e de noite.
Em nossa esfera pecaminosa, desenvolver um caráter que esteja sempre voltado às coisas de Deus é de suma importância, apesar de nossas falhas e limitações da impossibilidade de desenvolver um caráter absolutamente imaculado, sem propensões ao pecado, sem erros ou falhas. Somente Jesus teve um caráter sem propensões ao pecado e por isso ele pode salvar “perfeitamente” os que por Ele se achegam a Deus.
Como saber se nosso caráter está agora preparado para o céu? Ellen White ilumina a questão ao sugerir as seguintes perguntas:
“Quem possui nosso coração? Com quem estão nossos pensamentos? Sobre quem gostamos de conversar? Quem é o objeto de nossas mais calorosas afeições e nossas melhores energias? Se somos de Cristo, nossos pensamentos com Ele estarão, e nEle se concentrarão as nossas mais doces meditações. Tudo que temos e somos a Ele será consagrado. Almejaremos trazer a Sua imagem, possuir Seu Espírito, cumprir Sua vontade e agradar-Lhe em todas as coisas. (Caminho a Cristo, 58).
E compare a declaração acima com essa:
Eu nunca ousei dizer: “Sou santa, sou sem pecado”, mas procuro fazer de todo o meu coração o que acho ser a vontade de Deus, e tenho a doce paz de Deus em minha alma. Posso confiar o cuidado de minha alma a Deus, como a um fiel Criador, e sei que Ele guardará o que foi entregue aos Seus cuidados. A minha comida e bebida é fazer a vontade do meu Mestre (ME 3, 354).
Aí está o segredo, procurar fazer de todo o coração a vontade de Deus. Ellen White continua:
Não podemos dizer: “Sou sem pecado”, até que seja transformado este corpo abatido, para ser igual ao corpo da Sua glória. Se, porém, procuramos constantemente seguir a Jesus, pertence-nos a bendita esperança de ficar em pé diante do trono de Deus, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante; completos em Cristo, envoltos em Sua justiça e perfeição. (ME 3, 354)
e finalmente:
“Não devemos fazer de nós mesmos o centro, nutrindo ansiedade e temor quanto a nossa salvação. Tudo isto desvia a alma da Fonte de nosso poder. Confiai a Deus a preservação de vossa alma, e nEle esperai. Falai e pensai em Jesus. Que o próprio eu se perca nEle. Ponde de parte a dúvida; despedi vossos temores. Dizei com o apóstolo Paulo: “Vivo, não mais eu, mas Cristo vive em Mim, e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim.” Gál. 2:20. Repousai em Deus. Ele é capaz de guardar aquilo que Lhe confiastes. Se vos abandonardes em Suas mãos, Ele vos tornará mais que vencedores por Aquele que vos amou.” (Caminho a Cristo, 60 e 61). 
Não, amigo, nosso caráter não será a chave de ouro que abrirá os portões celestiais. Só entrarão ali os que estiverem cobertos pelo sangue de Jesus, pelos méritos de sua vida e caráter perfeitos e pelo seu sacrifício em nosso favor.
Seja feliz hoje, você foi aceito por Deus em Cristo. Não tente buscar a perfeição sem pecado ou um caráter imaculado. Tentativas desse tipo só levam ao desespero e depressão espirituais. Esse não é o objetivo da vida Cristã. Se isso fosse possível, Jesus não teria dado sua vida por você! Procure as coisas de Deus hoje com todo o seu coração, comece sua vida eterna hoje. Faça seu melhor. Deixe o resto com Deus.“Aquele que crê no filho, tem [hoje] a vida eterna.” João 3:36
Um abraço!
André Reis
Anúncios

Read Full Post »

“Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”.(Mateus 5:48)

Deus nunca propõe a Seus filhos padrão baixo. O versículo acima, entretanto, não quer dizer ser perfeito em sabedoria, como Deus o é, pois somos finitos. Não quer dizer perfeito em poder como Ele o é, porquanto Sua esfera é infinitamente mais alta que a nossa. Quer, porém, dizer que devemos amá-Lo perfeitamente, de todo o coração, entendimento, alma e forças. Isto é o que Deus deseja, pois Seus olhos “passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele”. Em algumas traduções encontramos: “cujo coração é perfeito para com Ele”. II Crôn. 16:9.

A palavra grega que aparece em Mateus 5:48 é teleios, literalmente significando, maduro, completo, que atingiu o alvo. Em I Cor. 14:20 Paulo emprega teleioi denotando física e intelectualmente homens amadurecidos.

O sentido de perfeito em Mateus 5:48 é que Deus exige de nós perfeição em nossa esfera como Deus o é na Sua. Deus deseja de nós o serviço mais perfeito que nos é possível prestar a Ele.

Joseph Angus em História, Doutrina e Interpretação da Bíblia, pág, 145, comentando a palavra “perfeição” assim se expressou:

“A perfeição se acha definida em várias partes da Bíblia. O termo emprega-se em muitos lugares do Velho Testamento como sinônimo de retidão ou de sinceridade. (Sal. 37:37 em hebraico).

Em o Novo Testamento, significa ou a posse de um claro e exato conhecimento da verdade divina, ou a posse de todas as graças do caráter cristão num grau maior ou menor. A primeira destas significações vê-se em Heb. 5:14, onde se diz que o “mantimento sólido é para os perfeitos, os quais já pelo costume têm os sentidos exercitados para discernir o bem e o mal”; e também se pode ver em I Cor. 2: 6 e em Fil. 3:15. A segunda definição vem em Tiago 1:4, onde “perfeito” significa o mesmo que “completo” na maneira de viver. Na Segunda Epístola de Pedro 1:5 se enumeram os dons que formam o cristão perfeito”.

A seção Consultoria Doutrinária da Revista Adventista, agosto de 1975, pág. 25, à consulta: Pode o cristão ser perfeito?, apresentou a seguinte resposta:

“Se por ‘perfeição’ o consulente quer dizer ausência de pecado, então a resposta é de que jamais na Terra alguém alcançará a perfeição. A não ser um presunçoso ou paranóico, ninguém, em sã consciência poderá afirmar estar sem pecado. Só Cristo pôde dizê-lo.

“Entretanto, os cristãos reais, os nascidos de novo, podem falar em serem perfeitos, desde que estão justificados pela fé. É que a perfeição de Cristo lhes é atribuída. Assim como Jesus foi considerado pecador da pior espécie quando na verdade era inocente, assim a pessoa que confia unicamente em cristo para salvar-se é considerada inocente, quando na verdade é culpada. Na epístola aos Romanos, Paulo, repetidamente, diz que os que confiam em Cristo para a salvação são considerados por Deus como perfeitos. Toda esta questão deve ser considerada como uma transação legal realizada por Deus. Na realidade Jesus não era culpado, e nós não somos inocentes. Isto, em termos teológicos denomina-se “justificação pela fé”. Tudo é iniciativa divina, e a parte do homem consiste apenas em atender ao chamado de Deus, lançando-se nos braços de Cristo. E a justificação se opera, não porque o pecador se sinta justo, mas sim porque Deus o declara justo. Neste relacionamento com Cristo devemos permanecer e crescer. E quando isto ocorre, devemos, sem dúvida melhorar nossa vida, nossos hábitos, nosso relacionamento com Deus e com o próximo. E assim recebemos a justiça comunicada de Cristo, que nos habilita a vencer as tentações, bem como a obedecer aos reclamos divinos. Não adianta dizer que confiamos numa pessoa, se não aceitamos seus conselhos.

“É verdade que, mesmo justificados, nosso comportamento nunca se tornará impecaminoso. Encontramos pessoas que parecem boas e nobres mas não pretendem firmar santidade. Em suma, somos perfeitos, no conceito teológico, porque a justiça perfeita de Cristo nos foi atribuída.

“Devido ao nefasto legalismo que lamentavelmente impera ainda em mais de 70% de nossos membros, a verdade maravilhosa e confortadora da justificação pela fé fica obscurecida, e vemos, não raro, pessoas graves, mal-humoradas, que têm conflitos íntimos e julgam que não serão salvas, mortificadas com algum pecado cometido, julgando-se abandonadas por Deus. Falta-lhes o sorriso que reflete o gozo do Espírito Santo, produzido pela paz de quem é justificado. Rom. 5:1. Tornando-se pessoas críticas, malcontentes com tudo; exigentes demais com os outros, maldizentes, acusadoras, etc.”

Texto de Autoria de Pedro Apolinário extraído da Apostila Leia e Compreenda Melhor a Bíblia.

Fonte: Sétimo Dia

Read Full Post »

A cruz era a forma mais ignominiosa de tortura e execução usada pelos romanos. Haviam madeiros de vários formatos, em forma de “x”, onde o crucificado ficava rente ao chão e era comido por animais famintos; outro formato era como o sinal de “+”, onde se repetia o mesmo espetáculo da cruz em “x”; uma muito usada desde os persas e difundida por Alexandre da Macedônia, foi o madeiro como um poste, alguns acreditam até que foi nesse tipo que Jesus foi pregado; o formato seguinte era a cruz comissa, madeiro semelhante ao nosso “T” e por fim a cruz imissa que se parecia com o “T” com a diferença que o patíbulo, parte onde eram pregados os braços, não ficava no topo do poste, mais um pouco abaixo. A cruz imissa é aceita pela maioria dos cristãos como sendo aquela onde Jesus padeceu.

Nessa cruz o condenado sofria tremendamente. Com os braços abertos e os pés pregados na haste principal o sentenciado não conseguia ficar completamente ereto. As pernas eram obrigadas a ficar semidobradas, o peso do corpo o puxava para baixo o que causava uma dor enorme nas mãos e nos braços, já que os nervos dessa região são muito sensíveis. Na cruz era difícil respirar porque o peito ficava esticado. Podemos imaginar então como sofreu o nosso Salvador, que além da cruz havia sofrido os açoites dos soldados, e truculentos golpes com uma vara sobre a cabeça coroada de espinhos.

Podemos imaginar o Filho de Deus suportando toda essa dor a ainda a agonia causada pelo peso dos pecados de toda a humanidade. Pecados que fizeram com que o Pai escondesse sua face, deixando que o Filho pisasse sozinho o lagar. Solitário e sofredor, nosso Mestre padecia desde a hora terceira (equivalente as 9h da manhã), um martírio que levaria seis horas.

Porém, ali na cruz, Jesus faria um breve sermão, epenas sete frases que selariam o sacrifício final. Esse sermão nos alcança ainda hoje com toda a sua força e impacto, e na Nova Terra, naquele lar glorioso, nós continuaremos estudando o sacrifício e palavras de Nosso Senhor para todo o sempre.

A primeira palavra
Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem.

Para poder falar Jesus precisava erguer um pouco o corpo a fim de encher os pulmões. Isso forçava o peso do corpo contra os pés cravados, o que lhe causava dor. Mas Ele o fez todas as vezes que foram necessárias para falar. Palavras que encerram significado para nossa salvação. Jesus fez isso por nós.

Seus inimigos estavam ali. Soldados profanos, sacerdotes e principais do povo. Todos ansiosos pela morte do Messias. Também haviam muitos assistindo o crucifixão mas que não tinham nada contra Jesus, estavam apenas seguindo a maré dos celerados. Jesus poderia recorrer aos anjos para silenciar os malignos expectantes, mas esse não era e nem é o seu caráter. Cristo estava depondo a vida por amor, e de forma alguma pretendia ver perdido até mesmo seu mais acérrimo inimigo. Ele então ora ao Pai e pede “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem”.

Um contraste tremendo se faz aqui entre o Filho de Deus e nós que professamos seu nome. Quanto estamos dispostos a perdoar? Muitas das vezes, diante de problemas insignificantes, cerramos os olhos contra amigos, familiares e irmãos da fé. Nos fechamos, nos enclausuramos na esperança de não vermos mais o objeto de nossas desavenças, ou buscamos freneticamente, num ímpeto de vingança, dar a devida desforra contra nossos adversários. Nada é tão contrário ao cristianismo do que isso. Vivemos no grande “Dia do Perdão” (Yom Kipur) e somos incapazes de perdoar.

A natureza perdoadora manifestada por Cristo na cruz, o próprio Cristo nos concede. Somos todos maus, e acalentamos os piores sentimentos contra o próximo. Amamos apenas quem nos faz bem e procuramos abandonar ou perseguir os que nos prejudicam. Jesus ao contrário, veio morrer pelo homem quando esse ainda era seu inimigo. Assim nos diz Paulo “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8), “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Rm 5:10).

Meus amigos e irmãos, precisamos atentar bem para o exemplo de Jesus, devemos ser seus imitadores (I Cor. 11:1). Como podemos esperar o perdão de Deus se não estamos dispostos a perdoar nosso próximo? Que desculpa podemos dar diante do tribunal divino? Pois estamos diante desse tribunal, sendo avaliados agora mesmo. Será que poderemos argumentar “eu não perdoei porque fizeram-me muito mal”; “porque me magoaram, caçoaram de mim”; “maltrataram minha família, meus filhos, meu marido, minha esposa”; “não perdoei porque sou esquentado, meu sangue ferve, é da minha natureza”; ou “porque sou muito sensível, não posso evitar”; “não perdoei porque não é justo, o mal que me fizeram é muito grande”. Sabe-se lá quantas desculpas podemos apresentar, mas eu pergunto agora, já imaginou se Jesus pudesse apresentar desculpas semelhantes diante do Pai? Estaríamos perdidos.

Você já foi açoitado ou açoitada alguma vez? Pois Cristo perdoou os que lhe açoitaram. Seus amigos já te abandonaram alguma vez? Pois Cristo perdoou seus discípulos, que na hora de maior necessidade nem foram capazes de orar em Sua companhia. Será que podemos mesmo apresentar alguma escusa. A verdade é que não existem subterfúgios para o pecado.

O intercessão de Cristo na cruz é aplicável a cada um de nós hoje, pois somos pecadores e nossos pecados colocaram o Filho de Deus no madeiro. Mas só seremos participantes de tão maravilhosa graça se em nós também existir o espírito de perdão. E somente Cristo pode fazer nascer em nós essa constituição. Contemplemos a cruz e deixemos que o amor de Cristo nos constranja (2 Cor. 5:14). É Cristo quem pode fazer nascer a justiça em nós, Ele nos confere o Seu caráter, nos imputa Sua natureza. Nos faz justos e santos. É só então que a oração apostolada por Ele no monte adquire vigor e concretiza-se em nossa vida, “perdoa as nossa dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores” (Mt 6:12).

Quão triste é viver sem o perdão de Cristo. Muitos que contemplaram sua morte não se permitiram apreciar esse perdão. Anás e Caifás, soldados, muitos da turba enfurecida, Pilatos e principais do povo não se permitiram a salvação, morreram sem perdão. Mas o ladrão (que a tradição chama de Dimas), Maria, João, um dos soldados, alguns outros da turba, alcançaram o perdão. Cristo nos diz hoje “Pai, perdoa-lhes”, e se aceitamos o perdão, somos perdoados instantaneamente. E aqueles que realmente fazem essa experiência serão capazes de perdoar, assim como Ele perdoou.

Read Full Post »

Muita gente pensa que sim. Todavia, a religião de Jesus não era cristianismo. Explico. Jesus não tinha pecado, nunca confessou pecados, nunca pediu perdão a Deus (ou a ninguém), não foi justificado pela fé, não nasceu de novo, não precisava de um mediador para chegar ao Pai, não tinha consciência nem convicção de pecado e nunca se arrependeu. A religião de Jesus era aquela do Éden, antes do pecado entrar. Era a religião da humanidade perfeita, inocente, pura, imaculada, da perfeita obediência (cf. Lc 23:41; Jo 8:46; At 3:14; 13:28; 2Co 5:21; Hb 4:15; 7:26; 1Pe 2:22). Já o cristão – bem, o cristão é um pecador que foi perdoado, justificado, que nasceu de novo, que ainda experimenta a presença e a influência de sua natureza pecaminosa. Ele só pode chegar a Deus através de um mediador. Ele tem consciência de pecado, lamenta e se quebranta por eles, arrepende-se e roga o perdão de Deus. Isto é cristianismo, a religião da graça, a única religião realmente apropriada e eficaz para os filhos de Adão e Eva.

Assim, se por um lado devemos obedecer aos mandamentos de Jesus e seguir seu exemplo, há um sentido em que nossa religião é diferente da dEle. Quando as pessoas não entendem isso, podem cometer vários enganos. Por exemplo, elas podem pensar que as pessoas são cristãs simplesmente porque elas são boas, abnegadas, honestas, sinceras e cumpridoras do dever, como Jesus foi. Sem dúvida, Jesus foi tudo isso e nos ensinou a ser assim, mas não é isso que nos torna cristãos. As pessoas podem ser tudo isso sem ter consciência de pecado, arrependimento e fé no sacrifício completo e suficiente de Cristo na cruz do Calvário e em Sua ressurreição – que é a condição imposta no Novo Testamento para que sejamos de fato cristãos.

Esse foi, num certo sentido, o erro dos liberais. Ao removerem o sobrenatural da Bíblia, reduziram o Jesus da história a um mestre judeu, ou um reformador do judaísmo, ou um profeta itinerante, ou ainda um exorcista ambulante ou um contador de parábolas e ditos obscuros que nunca realmente morreu pelos pecados de ninguém (os liberais ainda não chegaram a uma conclusão sobre quem de fato foi o Jesus da história, mas continuam pesquisando…). Para os liberais, todas essas doutrinas sobre o sacrifício de Cristo, Sua morte e ressurreição, o novo nascimento, justificação pela fé, adoção, fé e arrependimento, foram uma invenção do Cristianismo gentílico. Eles culpam especialmente a Paulo por ter inventando coisas que Jesus jamais havia dito ou ensinado, especialmente a doutrina da justificação pela fé.

Como resultado, os liberais conceberam o Cristianismo como uma religião de regras morais, sendo a mais importante aquela do amor ao próximo. Ser cristão era imitar Cristo, era amar ao próximo e fazer o bem. E, sendo assim, perceberam que não há diferença essencial entre o Cristianismo e as demais religiões, já que todas ensinam que devemos amar o próximo e fazer o bem. Falaram do Cristo oculto em todas as religiões e dos cristãos anônimos, aqueles que são cristãos por imitarem a Cristo sem nunca terem ouvido falar dEle.

Se ser cristão é imitar a Cristo, vamos terminar logicamente no ecumenismo com todas as religiões. Vamos ter que aceitar que Gandhi era cristão por ter lutado toda sua vida em prol dos interesses de seu povo. A mesma coisa o Dalai Lama e o chefe do Resbolah.

Não existe dúvida que imitar Jesus faz parte da vida cristã. Há diversas passagens bíblicas que nos exortam a fazer isso. No Novo Testamento encontramos por várias vezes o Senhor como exemplo a ser imitado. Todavia, é bom prestar atenção naquilo em que o Senhor Jesus deve ser imitado: em procurarmos agradar aos outros e não a nós mesmos (1Co 10:33–11:1), na perseverança em meio ao sofrimento (1Ts 1:6), no acolher-nos uns aos outros (Rm 15:7), no andarmos em amor (Ef 5:23), no esvaziarmos a nós mesmos e nos submeter à vontade de Deus (Fp 2:5) e no sofrermos injustamente sem queixas e murmurações (1Pe 2:21). Outras passagens poderiam ser citadas. Todas elas, contudo, colocam o Senhor como modelo para o cristão no seu agir, no seu pensar, para quem já era cristão.

Não me entenda mal. O que estou tentando dizer é que para que alguém seja cristão é necessário que ele se arrependa genuinamente de seus pecados e receba Jesus Cristo pela fé, como seu único Senhor e Salvador. Como resultado, essa pessoa passará a imitar a Cristo no amor, na renúncia, na humildade, na perseverança, no sofrimento. A imitação vem depois, não antes. A porta de entrada do Reino não é ser como Cristo, mas converter-se a Ele.

Augustus Nicodemos Lopes

Read Full Post »

O Apocalipse é um livro muito rico. Nele estão contidas mensagens especiais para nós que vivemos num período tão conturbado da história do mundo. Talvez você não concorde com essa declaração. Quem sabe você entenda que nossos dias não são tão ruins assim. Talvez você aponte para os grandes avanços da ciência; para os países se organizando em blocos econômicos; para o ideal de democracia alcançado por muitos desses mesmos países, tendo até como representante máximo a própria América do Norte. Vivemos na época das luzes, dirão. Mas e seu eu disser que estamos no limiar de uma nova Idade Média? Não uma Idade Média conhecida como Era das Trevas, o contrário disso, uma Idade Média das luzes.

Agora, o que essa introdução tem a ver com o tema “as sete igrejas”? Tem tudo.  Por mais que se idealize um mundo laico, o fato é que a história das nações foi escrita pela religião. E as sete igrejas do Apocalipse nos conta essa história.

Só que não quero aqui fazer uma analogia da igreja de Deus e o mundo, o que eu quero é chamar a atenção, primeiramente do povo do Advento e depois do mundo, para a importância das mensagens contidas nas quadras que nos falam sobre as sete igrejas, e ao mesmo tempo desfazer equívocos que ora ou outra surge para desviar nossa atenção do que há de essencial nas mensagens.

Ellen White escreveu “O Apocalipse foi escrito para as sete igrejas da Ásia. Elas representam o povo de Deus em todo o mundo.” (1). “Os nomes das sete igrejas são símbolos da igreja em diferentes períodos da era cristã. O número sete indica plenitude. Simboliza que as mensagens se estendem até o fim do tempo, enquanto os símbolos usados revelam o estado da igreja nos diversos períodos da história do mundo. É dito de Cristo que anda no meio dos castiçais de ouro. Assim é simbolizada Sua relação para com as igrejas.” (2).

As sete igrejas da Ásia foram igrejas literais, existiram de fato. As advertências e conselhos dados a essas igrejas cumpriram um papel relativo a igreja cristã nos final do primeiro século da era cristã. Mas a palavra profética de Cristo é ampla, e como o Apocalipse é Sua palavra, não poderia se dar de outra forma. Como disse Ellen White, as sete igrejas representam o povo de Deus em todo o mundo e simbolizam a igreja em diferentes períodos da era cristã. Entendendo-se assim vemos que uma igreja sucede a outra conforme avança o tempo. Começa-se por Éfeso e conclui-se com Laodicéia. O que podemos perceber na caminhada dessa igreja, caminhada dividida em sete fases, é que existe um propósito de fazer o povo de Deus crescer, as sete fases são como sete degraus pois “a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais, até ser dia perfeito.” (Pv 4:18). A luz que se recebe numa fase abre caminho para nova luz, e assim, de luz em luz, e de graça em graça (ver Jo 1:16), a igreja se aproxima cada vez mais da perfeição idealizada por Deus, que na verdade é a manifestação do Seu próprio caráter (Mt 5:48).

Da mesma forma que podemos subir, podemos também descer. Quando rejeitamos a luz enviada do céu, mesmo vivendo na antiga luz, não ficamos estagnados, o que acontece de verdade é uma regressão, o retorno ao velho homem. Deixamos de escalar a montanha e voltamos para além de sua base.

De tudo o que se é narrado sobre as sete igrejas da Ásia, é possível perceber claramente a existência de duas classes de cristãos em todos os períodos. Existem aqueles que ouvem os conselhos e crescem, e aqueles que desatendem e são rejeitados. Infelizmente, devido a um estudo superficial e cheio de pré-concepções, alguns chegam a conclusão errônea de que algumas das igrejas são compostas por uma classe apenas, por exemplo, alguns acreditam que no período de Filadélfia só haviam os santos e que os restantes estavam vivendo ainda no período de Sardes; e que nos dias de Laodicéia todos são mornos e serão todos rejeitados, os fiéis são ainda os filadelfianos que continuam existindo. Se isso fosse verdade os chamados filadelfianos do período de Laodicéia não poderiam sorver dos benefícios da mensagem da Testemunha Fiel e Verdadeira pois ela se aplica apenas aos laodiceanos. Se assim é, ninguém é salvo nesse período e explico o porquê. Os filadelfianos não poderiam receber a mensagem, pois só podem ser filadelfianos se continuarem segundo a luz enviada a Filadélfia, a luz é que delineia o seu caráter, a partir do momento que aceitem a mensagem a Laodicéia passam a ser laodiceanos. A mensagem a Laodicéia é a última mensagem, é o último degrau. Quem não pisa nesse degrau não chega ao céu. Se Filadélfia pisa então deixa de ser Filadélfia e passa as ser Laodicéia. Ou seja, em Laodicéia existem salvos sim, todos os que ouvirem o conselho da Testemunha salvar-se-ão, enquanto que os mornos, porque rejeitaram o convite, serão vomitados da Sua boca (Ap 3:16). Os salvos são “laodiceanos salvos” e os perdidos “laodiceanos perdidos”. Se não fosse assim não haveria a seguinte promessa para Laodicéia “Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo, no meu trono, assim como eu venci, e me assentei com meu Pai, no seu trono.” (Ap 3:21).

Portanto, o que quero deixar claro nessa primeira parte do estudo é que, em todos os períodos houveram duas classes, fiéis e infiéis, pois as coisas são assim desde o princípio e serão assim até o fim. E outro ponto é que tanto o fiel como o infiel de cada período é um representante específico daquele período, assim existiu o efésio justo e o efésio ímpio, o esmirniano justo e o esmirniano ímpio. As duas classes se desenvolvem juntas, e de acordo com a luz recebida por um e rejeitada por outro, revelarão o resultado de suas escolhas nos últimos dias. É o que nos ensina Cristo em sua parábola do joio e do trigo, ambos crescem juntos e dão cada um o seu respectivo fruto, porém quando Cristo vier ceifar a Terra, atará em molhos o joio e o lançará no fogo, enquanto que o trigo será levado para Seu celeiro (Mt 13:24-30).

Emerson Freire

Bibliografia

1 – WHITE, Ellen Gold. The signs of the times. 28 de Janeiro de 1903.

2 – WHITE, Ellen Gold. Atos dos apóstolos. Págs. 585 e 586.

Read Full Post »

Bezerro de bronze e cobre encontrado nas ruínas de Ascalom, Israel, em 1990. Acredita-se datar de 1550 AEC.

“Nossos antepassados não quiseram obedecê-lo; antes, o rejeitaram e, no seu coração, voltaram para o Egito, dizendo a Arão: ‘Faze-nos deuses que vão adiante de nós. Quanto a este Moisés que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu’. Naqueles dias, fizeram um bezerro e ofereceram sacrifício ao ídolo, alegrando-se com as obras das suas mãos” (Atos 7:39-41 – Traduzido em Português das línguas originais Hebraico e Grego).

Ao ver o sofrimento do Seu povo na escravidão, o Senhor, no tempo certo, enviou Moisés para tirá-lo do Egito. Por meio deste servo escolhido, Deus revelou Seu poder e magnitude, dignos de um Deus único. Com um pouco de medo, talvez, mas esperançosos por uma vida melhor e cheia de grandes promessas, os hebreus deixaram tudo para trás. Agora o líder deles era Moisés, que os libertaria de um lugar onde não havia esperança, onde havia dor, tristeza, sofrimento e privações. Partiriam para a terra que produzia leite e mel à vontade. Não teriam mais fome. Seus filhos correriam livres pelos campos verdes, e todos eles juntos adorariam para sempre o Deus de seus antepassados Abraão, Isaque e Jacó.

Antes de chegarem ao lugar onde adorariam o seu Deus, no deserto, o povo precisou fugir da fúria de um Faraó com seu exército, que não aceitava a derrota e que reclamava-os como sendo seus. Mas Deus, através de Moisés, os fez passar livres pelo Mar Vermelho, abrindo este mar diante deles. Ao chegarem ao pé do monte Sinai, onde adorariam ao seu Deus e fariam um concerto com Ele, receberam a instrução divina de que sempre seriam guardados do mal e dos inimigos, e que teriam a presença Deus garantida com eles. A condição era que nunca O abandonassem seguindo outros deuses, não O desobedecendo, quebrando assim a aliança que estava fazendo com eles. Imediatamente, todos concordaram. Então, Deus pediu que se purificassem para o adorar, lavando suas roupas e se preparando para recebê-Lo no dia que Ele marcou.

No dia marcado, Moisés subiu o monte e se encontrou com Deus. Recebeu os mandamentos imutáveis, as leis acerca dos sacrifícios e as que ensinavam a praticar a ética e a justiça, para um povo de coração duro e que só conhecia o que era ser escravo, além das advertências quanto ao perigo de seguirem deuses falsos e que facilmente enganam o coração desatento. Porém, a demora de Moisés para descer do monte começou a aborrecê-los. Esquecendo-se rapidamente das promessas de Deus e dos milagres operados em favor deles, começaram a pensar em suas vidas quando estavam no Egito. Sentiram saudade daquela falsa liberdade que tinham de crer no que queriam e que só poderia conduzi-los de volta à escravidão, à humilhação e à vergonha. Esqueceram-se muito rapidamente da vida ruim e vazia que levavam. Lembraram-se de seus deuses antigos, tão inúteis quanto aos seus próprios esforços de saírem da escravidão, que não faziam nada por eles. Pouco a pouco, a presença do Senhor começou a incomodá-los. Então disseram a Arão: faça ídolos para nós. Não sabemos o que aconteceu com Moisés. Que nossos deuses nos levem em nossa jornada! E assim criaram um bezerro de ouro. Ofereceram a ele sacrifícios, divertindo-se, dançando, gritando e cantando.

Todas as vezes que eu leio esta história eu critico este povo. Acredito que muitos também. É só imaginar Deus, com todo o Seu poder, falando com Moisés bem pertinho desse povo, no monte, e esse povo ousadamente adorando outros deuses! Mesmo depois de tantas instruções, de tantos milagres, e de tudo que Moisés havia feito por eles! Chego a pensar que se eu estivesse lá naquele momento teria agido diferente.

Será?

Analisemos os dias atuais: Onde e quando Deus me achou, e achou você? Talvez na escravidão dos nossos antigos deuses tão falsos e enganadores quantos os deuses egípcios. A cobiça, o dinheiro, o eu. Mas Deus, com grande amor e compaixão, enviou-nos o Seu único Filho, que tornou-Se Seu servo e veio nos tirar da humilhação, da escravidão e da humilhação do pecado que nos escravizava. Tomou, sobre Ele mesmo, todo o sofrimento e castigo que merecíamos e pagou a nossa conta com a própria vida. Veio para nos servir e também nos liderar.

Ao sermos encontrados por Ele tivemos um pouco de receio, talvez, mas estávamos esperançosos por ter uma vida feliz, plena e eterna. Então, largamos tudo para trás e seguimos esse Líder. O inimigo de Deus, com muita raiva, nos reclamou como sendo seus. Mas Jesus, com Sua força, nos fez passar livres.

Então Jesus nos disse que a condição para sermos salvos da morte, de todo o mal e estarmos sob Sua proteção e entrarmos na terra que Seu Pai e Ele mesmo nos prometeu era crer nEle e nAquele que O enviou, guardar os Seus mandamentos e não seguir outros deuses. Com gratidão por todas as coisas que fez por nós, concordamos. Depois, Ele pediu para que nos purificássemos de “toda mentira, do fingimento, da inveja, das críticas injustas”(I Pe.2:1 – NTLH), e da cobiça “pois a cobiça é um tipo de idolatria” (Efésios 5:5 – NTLH), lavando nosso caráter com a ajuda do Espírito Santo, e usando as vestes brancas das Sua justiça, nos preparando para recebê-Lo e ao Seu Pai, quando Ele retornasse. E Ele, então, subiu para o Céu, para junto do Seu Pai.

Hoje, talvez, esta “demora” para que Ele retorne esteja nos incomodando, e nos acomodando à nossa atual situação e ao mundo em que vivemos. Talvez a “demora” para que Ele aja em nosso favor, respondendo nossas orações e dando o que queremos receber tenha nos incomodado. Pouco a pouco, então, permitimos que a dúvida nos cerque: “Será mesmo que Ele vai voltar? Que me conhece, me ouve, me aceita e Se preocupa comigo?”. Às vezes sentimos saudade dos nossos antigos deuses e da vida que levávamos, e nos esquecemos de como era ruim a nossa vida sem Jesus. E então buscamos a satisfação do nosso ego para ocupar o vazio. Continuamos a nossa jornada para “sabe-se lá para onde queremos chegar”, e que o final, curiosamente, já sabemos qual será. Nos contentamos com pouco, nos divertimos às vezes, mas ao deitarmos para dormir, sentimos um oco dentro de nós. Lembramo-nos de Deus, mas tememos estar muito longe e que Ele esteja com raiva. No dia seguinte, nos divertimos e dançamos para os nossos deuses, oferecendo a eles nosso tempo, nossa mente e nosso corpo. E assim, vazios e incompletos, retornamos à escravidão.

Mas Deus não nos abandona, nem tão pouco se esquece de nós. Assim como “mudou de ideia e não fez cair sobre o Seu povo a desgraça que havia prometido” (Êx.32:14 – NTLH), Ele hoje também não desiste de nós, como costumamos pensar. Ele nos diz: “Olhai para Mim e sereis salvos” (Is.45:22). Este mesmo Deus, que não desistiu desse povo “muito teimoso” (Êx.32:9 – NTLH), é o mesmo que quer nos salvar e que não desiste tão facilmente. E que ainda insiste para que não amemos “o mundo, nem as coisas que há nele” (I Jo. 2:15 – NTLH). Ele ainda nos oferece a Sua graça, que “nos ensina a abandonar a descrença e as paixões mundanas e a vivermos neste mundo uma vida prudente, correta e dedicada a Deus”, “esperando o dia feliz em que aparecerá a Glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo”. (Tito 2:12,13).

Dois caminhos estão diante de nós: um, que é Jesus, que nos conduz à Vida, e o outro, que nos afasta dEle e nos leva à morte. “Eu lhes dou a oportunidade de escolherem entre a vida e a morte, entre a benção e a maldição. Escolham a vida, para que vocês e os seus descendentes vivam muitos anos. Amem o Senhor, nosso Deus, obedeçam ao que Ele manda e fiquem ligados com Ele” (Deut.30:19,20 – NTLH). Que cada um de nós escolha o caminho que leva à Vida!

“Os que amam a riqueza, a honra e a posição elevada, não entrarão pela porta estreita, a menos que se desfaçam de seus ídolos. Não há espaço para entrar pela porta estreita levando consigo as coisas deste mundo” ¹.

Sheila Nascimento

Bibliografia

1 – WHITE, Ellen G. Primeiros Escritos. São Paulo: CPB, p.112.

Abreviações

NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje

Read Full Post »

A Palavra de Deus nos revela que a igreja dos últimos dias seria morna. Você sabe o que é mornidão? A mornidão é a indiferença, o comodismo, uma insensibilidade espiritual. Defini-se também como letargia, que é o estado de sonolência como de morto. É muito fácil perceber que a mornidão é uma condição que não agrada a Deus. A Testemunha Fiel e Verdadeira nos diz “quem dera foras frio ou quente” (Ap. 3:15).

O ideal divino é que a igreja “esquente”, noutras palavras ela precisa de novo vigor, de nova vida. O coração deve estar imbuído de uma fé inabalável, muito bem fundamentada. Uma fé que não dê lugar a incredulidade e murmuração. Fé operante, que move todo o ser na realização de boas obras, uma fé sem tais manifestações é morta.

O Espírito de Profecia nos deu instruções sobre isso. Orientações que, se seguidas, desencadearão uma série de eventos que agilizarão a volta de Cristo. Salomão nos disse “não havendo profecia o povo se corrompe.” (Pv 29:18).

A palavra profética é um tempero especial preparado por Deus. Ela dá um sabor todo novo à vida religiosa. É também um tônico de propriedades estimulantes. Quem o toma não tem como ficar quieto em seu canto. O frio torna-se quente, e o morno desperta.

Para nós que vivemos nestes últimos dias, o conselho do Espírito de Profecia é que estudemos com mais afinco as profecias de Daniel e Apocalipse. Leia a seguir algumas declarações inspiradas:

“Há grande necessidade de examinar o livro de Daniel e o de Apocalipse, e aprender cabalmente os textos, para que possamos saber o que está escrito.” (1).

“Há necessidade de um estudo mais aprimorado da Palavra de Deus; especialmente Daniel e Apocalipse devem merecer atenção, como nunca antes na história de nossa obra.” (2)

“Foi-me revelado que há entre nosso povo grande falta de conhecimento quanto ao surgimento e progresso da terceira mensagem angélica. Grande é a necessidade de examinar o livro de Daniel e o de Apocalipse, e aprender cabalmente os textos, a fim de sabermos o que está escrito.” (3).

Atentemos para o que foi dito acima. “Há uma grande necessidade” é a expressão que se usa, depois lemos  “Grande é a necessidade” e também “Há necessidade de um estudo mais aprimorado”. Necessidade está na ordem do dia. Só temos necessidade do que nos falta e do que é relevante, por isso não podemos desprezar esses apelos.

A escritora Ellen White também nos revela qual o resultado de se atender esses conselhos inspirados:

“Quando os livros de Daniel e Apocalipse forem bem compreendidos, terão os crentes uma experiência religiosa inteiramente diferente. Ser-lhes-ão dados tais vislumbres das portas abertas do Céu que o coração e a mente se impressionarão com o caráter que todos devem desenvolver a fim de alcançar a bem-aventurança que deve ser a recompensa dos puros de coração.” (4)

“Se nosso povo estivesse meio desperto, se reconhecesse a proximidade dos acontecimentos descritos no Apocalipse, operar-se-ia uma reforma em nossas igrejas, e muitos mais creriam a mensagem.” (5)

Quem está disposto a fazer essa experiência? Então comece hoje mesmo, não há porque perder tempo. Com a Bíblia em mãos, os Testemunhos e o auxílio do Espírito Santo é possível a qualquer um compreender as mensagens sagradas dos profetas. Vamos lá, tempere e tonifique sua vida espiritual com Daniel e Apocalipse. Eles nos ajudarão a enxergar melhor o Autor e Consumador da nossa fé, lembre-se que contemplar a Cristo é tudo, é essencial. Não é a toa que dos estudos das profecias resultará “uma reforma” em nossas vidas e consequentemente nas igrejas.

Emerson Freire

Bibliografia

1 – WHITE, Ellen G. Mensagens Escolhidas 2. São Paulo: CPB. p. 392

2 – WHITE, Ellen G. Evangelismo. São Paulo: CPB. p. 363

3 – WHITE, Ellen G. Counsels to Writers and Editors. São Paulo: CPB. p. 45

4 – WHITE, Ellen G. Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos. p. 114

5 – WHITE, Ellen G. Maranata. São Paulo: CPB. p. 21

Read Full Post »

Older Posts »